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  • Foto do escritorDayani Croda Machado

Aniversário de Casamento: as armadilhas da expectativa

Em fevereiro, completamos 16 anos de casados! Hoje, essa é uma data tranquila e feliz, mas nem sempre foi assim. Já foi uma data marcada por frustração, tristeza, ativando esquemas disfuncionais que perduravam por dias, semanas. Pode parecer exagero, mas essas datas mostravam um recorte importante do perigo das expectativas para o relacionamento de casal.


Quando a gente casa, traz consigo todo o modelo de relacionamento da nossa família de origem. Isso molda nossos conceitos do que consideramos certo, e se aplica também aos modelos de comemoração de datas especiais! Na minha família de origem, comemoram-se datas com todos os clichês românticos: flores, declarações, presentes, surpresas. Aí adivinhem o que eu esperava? Nada menos que isso! Para mim, todas essas coisas eram “o mínimo” que se podia esperar, e não fazer nada era percebido como total falta de amor.


O que a gente esquece? Que o outro também traz seus modelos e seus padrões de certo e errado para essas datas! E geralmente, tem uma estratégia completamente diferente! Na família do meu marido, não se comemoravam essas datas. Então no modelo dele, lembrar e parabenizar já era muito. Diante desse cenário, estava feita a encrenca!

Num primeiro momento, eu esperei que meu marido cumprisse os protocolos da minha família, mesmo sem eu ter falado nada – parecia óbvio, pois ele já tinha passado anos comigo, vendo isso acontecer na minha família, como não perceber que era o melhor jeito? Aí estava o primeiro aprendizado: nada é óbvio!


Tudo precisa ser conversado. Então, ciente disso, comecei um verdadeiro “adestramento”, onde esperava que meu marido aprendesse como comemorar as datas! Ele até se esforçou, marcando lembrete no celular para não esquecer o dia, mandou flores, mas por mais que se esforçasse, como eu via que ele não vivenciava a data como eu, ambos saiam tristes, e as comemorações eram pesadas.

Eu demorei a entender que precisávamos construir no NOSSO JEITO! Que, se as datas eram importantes para mim, ele também poderia se engajar, mas do seu jeito! Que era eu que também precisava aprender as linguagens de amor dele, diferentes das minhas.

Comecei a perceber como minha expectativa nessas datas eram muito mais para cumprir os protocolos da família, com ações concretas que me fizessem sentir fazer parte do time de mulheres com maridos-apaixonados-que-mandam-flores-com-declarações-de-amor, sem nem mesmo saber se eu gostava mesmo daquilo. Era só um alívio inicial, mas que não nutria porque não era genuíno. Passei, então, a realmente buscar descobrir o que, na linguagem do meu marido, era equivalente a essas demonstrações de sentimento e de amor.

Incrível como a gente não olha para o outro! O mesmo homem que me gerava tanta frustração não sendo romântico nas datas comemorativas, era capaz de transbordar amor nos outros dias do ano. Sendo muito espontâneo, gosta de presentear quando encontra algo que eu gosto, mas sem datas marcadas.

Não envia flores, mas traz as comidas que eu gosto de cada lugar que vai, ou sabores novos que provou e acredita que eu vou gostar. Suas surpresas são jantares caprichados em plena segunda-feira, sem motivo algum. Suas declarações são verbais e privadas, um bilhetinho no chimarrão que deixa pronto antes de eu acordar quando sai cedo pela manhã.


Quando comecei a olhar para tudo isso, entendi que precisávamos criar o nosso jeito, porque nossa linguagem de amor era outra. Foi um processo empírico em que experimentamos várias coisas, cada vez de um jeito mais leve e divertido. Descobrimos que o que faz sentido para nós é viver momentos de conexão: um bom jantar, uma viagem a dois, algo vivencial, para celebrar o momento e validar mais um ano de aprendizado juntos. Já há alguns anos, nosso aniversário é uma data prazerosa e cheia de boas memórias.

Parece óbvio, mas construir uma relação de casal implica em desistir das aprendizagens de certo e errado de nossa família de origem nas coisas grandes e pequenas. Eu precisei de ajuda terapêutica e busca de conhecimento para aprender a estar presente, percebendo que cada mobilização emocional de frustração, tristeza, raiva, estava ligada a scripts não cumpridos que nem faziam sentido nessa relação!

Aprendi a lançar um olhar mais amplo a cada detalhe, estando disponível a enxergar o amor do outro mesmo quando ele vem numa forma diferente do que eu costumava esperar. Eu tenho aprendido um pouco disso todos os dias, colecionando bons momentos que vão tornando as datas apenas oportunidades de comemorar, fontes de alegria e não de frustração.

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